O distrito de Setúbal, sendo o 8º.maior
distrito português, ocupa uma área de 5.064 km2. Com cerca de um milhão de
habitantes e atendendo à sua posição geográfica, sempre demonstrou ser um
distrito com propensão ao desenvolvimento sobretudo em áreas como a economia e
turismo, considerando a proximidade com o mar, aliadas à eficiente rede de
escolas existentes permitindo que houvesse um acentuado crescimento na áreas da
educação.
Por outras palavras, os recursos naturais
existentes em praticamente todo o distrito poderiam ter alavancado maiores e
melhores investimentos que proporcionassem emprego e quiçá outras condições de
vida para os habitantes dos diversos concelhos, no entanto, nem sempre foi esta
a conclusão dos respectivos órgãos decisores.
Nos mais diversos quadrantes políticos, vozes
discordantes se ergueram quando no seio do Partido Socialista se falou numa
nova travessia sobre o Tejo ou numa solução similar, vozes discordantes se
ergueram quando se abordou a temática da criação de um projecto de alta
velocidade ferroviária que ligasse Portugal e Espanha, vozes discordantes e
distorcidas se ergueram quando se abordou a possibilidade de construção do novo
aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.
É curioso verificar, que os inúmeros
projectos que o Partido Socialista idealizou para o distrito de Setúbal,
ignorados em tempo útil por diversos protagonistas políticos, agora comecem a
fazer algum sentido ao executivo liderado pelo Dr. Pedro Passos Coelho que
provavelmente com o objectivo de diminuir a taxa de desemprego situada nos
16,9% relativamente ao último trimestre de 2012, demonstre alguma preocupação e
queira agora criar emprego e ajudar a economia quando foram os primeiros a
retrair o investimento desejável.
Bom, mas afinal em que ficamos?
O
TGV, agora designado por projecto de alta velocidade ferroviária entre as
capitais Lisboa e Madrid, ao que parece vai mesmo avançar, isto depois do
Governo português ter chegado a acordo com Bruxelas sobre o financiamento da
respectiva obra. É curioso verificar que este projecto idealizado sob a égide
do Partido Socialista, foi deveras criticado por ser uma medida despesista. Já há
muito que esta medida impulsionadora de desenvolvimento e de emprego podia
estar numa fase mais adiantada, mas fico feliz por verificar que as nossas
ideias/projectos não caíram em saco roto. Espero e desejo, até porque as
condições adversas em que nos encontramos não podem ser limitadoras de
investimento mais barato, ou seja, as soluções de investimento público devem
possuir tabelas de prioridade previamente definidas e assentar fundamentalmente
em decisões que podem, a médio e longo prazo, proporcionar uma maior
sustentabilidade da economia portuguesa. Por isso, é expectável e sobretudo
inteligente, que o actual Governo abandone a ideia do Portela+1 e no actual
quadro de restrições financeiras e orçamentais do País, faça um compasso de
espera, de modo a dar tempo e criar condições para avançar com a anterior
solução de construção do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de
Alcochete. Esta será uma solução mais sustentável e propiciadora de melhores
condições para o desenvolvimento futuro do País.
Nesta
conjuntura austeritária, o investimento público reprodutor do investimento privado
deve, na opinião do Partido Socialista, ser valorizado e acarinhado, daí
continuar a insistir na importância de se avançar com a nova ligação Barreiro -
Montijo de acesso à Ponte Vasco da Gama, cujo traçado abrangerá terra, viaduto
e uma ponte, numa extensão total de cerca de 11Km. Nesta solução, que está a
ser trabalhada pela Lusoponte em conjunto com os municípios de Montijo,
Alcochete, Moita e Barreiro, não se deve perder muito tempo, atendendo à sua
importância para o crescimento e a criação de emprego.
Eu
não tenho dúvidas, que a minha terra (Alcochete) em particular e todo o
distrito de Setúbal em geral, possuem enormes potencialidades de geração de
desenvolvimento, basta que TODOS assim entendam e que TODOS se esforcem nesse
sentido.
Fernando Pinto
Deputado PS da Assembleia Municipal de
Alcochete